Katarina Santos

Atualizado: 2 de mai.

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Premiação Melho do Brasil na Europa 2022


Meu interesse pela moda teve início na infância, quando em Recife, minha cidade natal, passava o dia desenhando figuras femininas. A brincadeira era submeter meus pais e irmão à incansáveis sessões de votações, nas quais, muitas vezes o resultado me decepcionava. O fato da figura com as feições mais belas sempre vencer àquela com o vestido mais rico e detalhado, era para mim, na época, incompreensível.

Na adolescência não foi diferente, o fascínio pela Moda continuava cada vez maior, e o momento era propício para explorar minha criatividade. A criação autoral de looks nada convencionas se tornou, então, minha marca registrada. No colégio, fui carinhosamente apelidada de Aladim em referência as calças harem que tanto gostava de usar e, que, causavam estranheza aos colegas.

A inexistência de um curso voltado para moda naquele tempo, juntamente ao interesse em várias formas de expressão artística, me levaram a escolher o curso de Arquitetura e Urbanismo como o caminho para alcançar meus objetivos futuros. Foi um momento de grande aprendizado, não era a época dos livros virtuais, lembro das idas às livrarias onde sempre saía com um livro de arquitetura em uma mão e uma revista de moda na outra.

O início da minha conexão com a Itália, país em que resido hoje, se deu a partir do desenvolvimento do meu Trabalho de Conclusão de Curso, no qual pesquisei e estudei, entre outros tópicos, arquitetos italianos da época renascentista. Com isso, não tive dúvidas de que o local ideal para dar continuidade aos meus estudos numa pós-graduação em interior design, seria Florença – o berço do Renascimento.

Chegando em Florença, o impacto com a cidade foi intenso. Conhecer as antigas bodegas onde os artesãos trabalham o couro e os ourives moldam suas peças, me fizeram ter duas certezas. A primeira era de que eu estava no local certo e a segunda, que precisava trocar meu curso de interior design para fashion design. E assim o fiz, me matriculando na Polimoda de Florença, universidade convencionada ao FIT (Fashion Institute of Technology de Nova Iorque) e uma das mais importantes universidades de moda da Itália.

Contemporaneamente, conheci meu ex-marido que trabalhava como representante. Naquele momento resolvemos abrir um showroom todo nosso e, a primeira brand internacional que representamos foi do grupo Max Mara, que nos transferiu para a cidade de Gênova. O showroom começou a crescer e com esforço formamos uma equipe e fomos recompensados pela Max Mara que fez com que voltássemos à Florença.

Em Florença, fiquei responsável pela consultoria direta a clientes em suas lojas e por ministrar cursos de vitrine e merchandising. E foi aí que começou meu amor pelo retail, pelas lojas e a vontade de trabalhar em contato, não com os lojistas, mas com o público final. Foi nesse momento que comecei a sonhar com uma loja toda minha. O showroom seguiu por vários anos e representamos várias outras marcas internacionais, além da Max Mara. Nas passagens pelo Brasil, também ministrei vários cursos de visual merchandising e tive clientes como o Shopping Center Recife, maior centro comercial do Recife da época.

Como acontece muitas vezes, foi preciso uma série de eventos pessoais para retirar aquele sonho da gaveta e trazer para a realidade. A ideia de abrir uma loja própria surgiu no ano passado, depois de um processo doloroso de divórcio. As estradas a seguir eram múltiplas... Continuar como representante na Itália? Voltar para o Brasil? Trabalhar com moda ou retomar arquitetura? Muitas dúvidas pairavam sobre minha mente mas, por fim, o sonho falou mais alto. A K13 então surgiu, tendo em seu nome a ressignificação de um temor agora superado, o número 13. E que para mim, num aspecto mais amplo, tem um significado especial e poderoso: superação.

Com muita dedicação e aquele toque brasileiro de alegria, a ideia é conquistar as clientes com peças provenientes de showrooms. São todas peças únicas, exclusivas e de estação, trazidas de mostruários que adquiro através de contatos com colegas representantes. Sempre quis fazer algo com estilo, qualidade e que, ainda assim, fosse acessível ao público. A solução encontrada para a fusão dessas características, foram então, os mostruários.

O modelo está agradando e, quem sabe, não surgirão outras K13 pelo mundo afora? Quando colocamos amor naquilo que fazemos é fácil acolher com poesia qualquer desafio.


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