Jaqueline Araujo

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Premiação Melhor do Brasil na Europa 2022


A vida me ensinou tantas coisas, aprendi a caminhar, quando eu cresci, ela me ensinou que depois de uma queda você se levanta e mesmo que seus joelhos estejam descascados e doam muito, você nunca deve desistir, mas enfrentarmos com determinação a situação que nos depara. Eu nasci no Rio de Janeiro e até 2009 acreditava ser filha única.


Casei e me separei pela primeira vez muito jovem e tive meu primeiro filho, Patrick em 1993. Tive uma grande desilusão em 2000, no mesmo ano em que perdi meu pai. Em 2001 viajei para a Itália para tentar consertar o que não tínha mais conserto, pois não se conserta o que não existe e quando estava recolhendo os meus pedaços, conheci o meu companheiro, meu amigo, meu cúmplice, meu amor, com quem NÃO DIVIDO, mas “SOMO” os meus dias há 21 anos.


Em 2006, tivemos a nossa filha Giulia e por ela precisei me reinventar, primeiro diagnóstico: Autismo e há poucos meses também o dignóstico de uma Síndrome rara: Tatton Brown Rahman. Eu seria hipócrita se dissesse que é fácil, porque não é! Chorei muitas vezes e choro ainda, mas por ela, pois, a sociedade foi moldada para as pessoas ditas “normais”.


Aprendi a me impor na defesa dela, que um sorriso é uma benção, um abraço pode valer mais do que palavras e que o “pouco” pode ser “muito”. Sou nutricionista com especialização em clínica funcional, esportiva, ortomolecular com enfase em nutrigenômica e me dediquei principalmente na nutrição de autistas para tentar amenizar sintomas e com isso melhor qualidade de vida aos “Anjinhos Azuis”.


Em 2009 por conta do “Autismo” da minha filha, descobri de forma não tão convencional, ter sido adotada e informações muito vagas para buscar a minha família biológica. Resolvi abrir minha vida nas mídias sociais e mesmo parecendo algo extremamente impossível, em 2010 descobri minha origem. Infelizmente não da para contar todos os detalhes que passei pois daria um livro de muitos capítulos.


Em 2018 fui impulsionada a mudar de país. Amo o Brasil, ele será sempre a minha Pátria, mas não me sentia mas tão confortável, a violência no Rio só aumentava e eu queria uma qualidade de vida melhor para a minha família e em apenas três semanas, arrumamos as malas, parcelamos quatro passagens no cartão de um amigo e desembarcamos na Itália.


Recomecei do zero, a pandemia chegou com tudo! Me sentia dentro de um filme de ficção científica, perdi minha mãe adotiva para o Covid e fiz da DOR a minha motivação para EMPREENDER. Minhas lágrimas serviram para me redescobrir, fortalecer meu caráter, amenizar inseguranças. Criei o Projeto BRASILEIRAS SEM FRONTEIRAS e fui buscando mulheres brasileiras, expatriadas e imigrantes pelo mundo afora para construir uma rede de suporte através das nossas experiências de vida e em menos de um ano, tenho um time, uma família de companheiras por quase todos os países do mundo.


Me sinto muito orgulhosa e honrada para participar desse Prêmio. A vida me surpreende a cada dia e cada dia estou aprendendo a amá-la mais e poder doar o meu melhor para quem precisa acreditar que tudo vale a pena!


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