Angela Brodbeck

Atualizado: 2 de mai.

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Premiação Melhor do Brasil na Europa 2022


ANGELA BRODBECK nasceu em Recife e passou uma infância muito pobre em Olinda-PE. Primeira filha de Nice e neta de Dona Alice, duas mulheres de forte influência, logo cedo percebeu que não foi reconhecida pelo pai, o que lhe entristeceu. Era um menina envolvida com a natureza, conectada com as árvores, gostava de sentir o vento no rosto e sentir o cheiro de novos horizontes. Eram momentos meditativos que ela, desde a infância, vivenciava. Muito cedo sentiu a diferença de classe social, quando era levada ao trabalho de sua mãe, que era empregada doméstica. Aprendeu a admirar e não tocar nos pertences alheios. Menina alegre, que gostava de escutar os ensinamentos de sua avó e sua mãe. Muito observadora, Angela gostava de estar acompanhada de um caderno, para anotar suas poesias, reflexões e anseios. Também gostava de ensinar alguns vizinhos a se alfabetizarem. Amava ler, porém não tinha condições de comprar livros e, por esse motivo, passava o intervalo da escola na biblioteca. Estreou na literatura ainda criança, ao escrever cinco livros de romance ficção datilografados pela bibliotecária da escola em que estudava, no bairro de Cajueiro, em Recife, Pernambuco. Nesse período, por estar inserida na escrita, era constantemente procurada para realizar trabalhos escolares. Ainda na infância, antes de completar dez anos, sofreu abuso sexual durante um ano. Marcada pela violência e pelo trauma, desenvolveu síndrome do pânico e depressão, já aos 12 anos. Foi um período muito difícil para Angela e sua família, vivendo numa comunidade às margens do Rio Capibaribe, num casebre debaixo de poste de alta tensão, sua mãe trabalhava arduamente para sustentar os filhos, e foi preciso se dividir entre o trabalho e o tratamento da filha mais velha, que depois de diversos exames iniciou um tratamento psicológico. Nesse período, Angela já não fazia nada sozinha. Passou muito tempo de cama, presa ao medo e ao pânico, a ponto de lhe faltarem forças para caminhar e precisar de fisioterapia. Fez psicoterapia e respondeu ao tratamento de forma rápida e positiva, voltando à vida com vontade de vencer e correr atrás do tempo perdido. Participou do projeto AMI, da ONG Casa de Passagem de Recife, fundada por Ana Vasconcelos, onde conseguiu obter amparo psicológico e conhecimento. Formou-se em agente multiplicadora de informação, fazia palestras nas escolas, ensinando outros adolescentes sobre sexualidade. Participou de dois congressos brasileiros de adolescentes, onde sempre era escolhida para fazer palestra, mostrando o trabalho que aprendeu na ONG. Aos 17 anos, ainda na Casa de Passagem, escreveu a poesia “Que país é esse”, que entregou ao Presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, fato que lhe rendeu várias notícias nos jornais do Estado de Pernambuco. Infelizmente não foi a última vez que esteve nos noticiários pois, ao completar 18 anos, foi novamente abusada em um estupro coletivo. Dessa vez, tendo apoio da ONG, realizaram uma passeata em sua defesa, no Centro de Recife, pedindo justiça.

A violência que sofreu, a precariedade em que vivia, e a doença de sua mãe lhe deram forças para que Angela agarrasse a oportunidade de morar na Europa. Com a intenção de ajudar a família financeiramente, ela carregava um sonho: tirar sua mãe da comunidade e lhe construir uma casa. Trabalhou como camareira no Hotel Hilton da cidade de Kloten, em Zurique, nos três primeiros anos em que estava na Suíça. Logo foi selecionada para receber a escola de Samba Beija Flor, na época campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. Com muita alegria, recepcionou os conterrâneos, que passariam uma semana se apresentando na Suíça. Foi assim seu primeiro encontro com Neguinho da Beija Flor, que tinha acabado de lançar uma música com seu nome, “Lindo anjo, negra Angela”.

Cursou Catering Worker e foi decoradora e organizadora de eventos para uma empresa privada na Suíça. Recebia os clientes VIP da classe alta da Suíça, que chagavam de limosine e helicóptero. Sentia-se feliz no trabalho. Poetisa por paixão, mãe de três filhos, esposa. Vive na Suíça há 27 anos. Publicou seu primeiro livro, uma autobiografia, logo após a pandemia de Covid-19, com o título “Filha do Nordeste Brasileiro”. Recebeu muitas mensagens de leitores, que buscavam uma resposta, uma bússola para a cura e leitores que se identificaram com a violência sofrida por ela, passando a receber vários relatos de pessoas que passaram pelo mesmo tipo de violência.


E foi assim que, com muito cuidado e respeito pelo ser humano, fundou o projeto Espaço da Mulher, onde se dedica a ajudar mulheres, através de lives com profissionais de diversas áreas, para levar conteúdo relacionados ao universo feminino. Angela também é uma incentivadora de autores e artistas brasileiros, no projeto “Mostra tua arte na Suíça”. “Filha do Nordeste Brasileiro” foi sua primeira obra literária disponível no Brasil. “Samantha” é seu primeiro livro de ficção publicado.

Angela Brodbeck estará lançando ainda em 2022 sua autobiografia traduzida para o idioma inglês, em Tel-Aviv, Israel, e se realiza em dedicar-se à escrita e sua família.


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